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Origem do capitalismo

No final da Idade Média, a população rural se expandiu e passou a haver um excesso de gente no campo.
Os membros dessa população excedente, sem terras herdadas ou bens, careciam de ocupação.
Também não lhes era possível trabalhar nas indústrias de beneficiamento, cujo acesso lhes era vedado pelas corporações das cidades.
O número desses “párias sociais” crescia incessantemente, sem que todavia ninguém soubesse o que fazer com eles.

Em algumas regiões da Europa, sobretudo nos Países Baixos e na Inglaterra, essa população tornou-se tão numerosa que, no século XVIII, constituía uma verdadeira ameaça à preservação do sistema social vigente.
Foi dessa grave situação social que emergiu o capitalismo moderno.
Dentre aqueles párias, aqueles miseráveis, surgiram pessoas que tentaram organizar grupos para estabelecer pequenos negócios, capazes de produzir alguma coisa. Foi uma inovação.
Esses inovadores não produziam artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produziam bens mais baratos, que pudessem satisfazer as necessidades de todos.
E foi essa a origem do capitalismo tal como hoje funciona.
Foi o começo da produção em massa, o princípio básico da indústria capitalista.

Princípios capitalistas

Enquanto as antigas indústrias de beneficiamento funcionavam a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, as novas indústrias capitalistas começaram a produzir artigos acessíveis a toda a população.
Era a produção em massa, para satisfazer às necessidades das massas.
Esta é a diferença básica entre os princípios capitalistas de produção e os princípios de épocas anteriores.
E, num tempo relativamente curto, esse princípio, transformou a face do mundo, possibilitando um crescimento sem precedentes da população mundial.

Mas apesar de todos os seus benefícios, o capitalismo foi furiosamente atacado e criticado pela historiografia.
Muito se falou das péssimas condições de trabalho e a exploração que os trabalhadores sofriam nas primeiras fábricas. Obviamente, do nosso ponto de vista, o padrão de vida dos trabalhadores naquelas primeiras fábricas, dos séculos XVII e XVIII, era extremamente baixo. Mas, se as condições de vida nos primórdios do capitalismo eram absolutamente escandalosas, não era porque as recém-criadas indústrias capitalistas estivessem prejudicando os trabalhadores: as pessoas contratadas pelas fábricas já subsistiam antes em condições praticamente subumanas.



A velha história, repetida centenas de vezes, de que as fábricas empregavam mulheres e crianças que, antes de trabalharem nessas fábricas, viviam em condições satisfatórias é um dos maiores embustes da história.
As mães que trabalhavam nas fábricas não tinham o que cozinhar: não abandonavam seus lares e suas cozinhas para se dirigir às fábricas – corriam a elas porque não tinham cozinhas e, ainda que as tivessem, não tinham comida para nelas cozinharem.
E as crianças não provinham de um ambiente confortável: estavam famintas, estavam morrendo.

Todo o tão falado e indescritível horror do capitalismo primitivo pode ser refutado por uma única estatística: precisamente nesses anos de expansão do capitalismo na Inglaterra, no chamado período da Revolução Industrial inglesa, entre 1760 e 1830, a população do país dobrou, o que significa que centenas de milhares de crianças – que em outros tempos teriam morrido – sobreviveram e cresceram, tornando-se homens e mulheres.
Não há dúvida de que as condições gerais de vida em épocas anteriores eram, no mínimo, insatisfatórias.

Foi o comércio capitalista que as melhorou.
Foram justamente aquelas primeiras fábricas que passaram a suprir, direta ou indiretamente, as necessidades de seus trabalhadores, através da exportação de manufaturados e da importação de alimentos e matérias-primas de outros países.

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