Adam Smith, capitais, comércio, dinheiro, mercadorias, produção, Quadro Econômico, riqueza,

Riqueza e o Dinheiro

Depois de François Quesnay ter publicado seu “Quadro Econômico” na França, foi a vez de Adam Adam Smith publicar, na Inglaterra, “A Riqueza das Nações”, obra de repercussão mundial que produziu uma crítica profunda ao sistema mercantilista.

Adam Smith foi um conhecedor das doutrinas de Quesnay, por isso muito de sua argumentação se aproxima das teorias propostas pelo economista francês, porém a critica produzida por Adam Smith em relação ao mercantilismo foi feita com uma profundidade nunca antes realizada na história.

Adam Smith explicava que a riqueza e o dinheiro, no linguajar comum, eram considerados como sinônimos, sob todos os aspectos.
Da mesma forma, acreditava-se que um país rico — assim como um indivíduo rico — era aquele que tinha muito dinheiro.
Nessa suposição, acumular ouro e prata em um país constituía o caminho mais rápido para enriquecê-lo.

Por conta dessa crença popular, Adam Smith aponta que todas as nações da Europa se empenhavam, embora de forma inútil, em descobrir todos os meios possíveis de acumular ouro e prata em seus respectivos territórios.
A Espanha e Portugal, proprietários das principais minas que forneceram esses metais à Europa, proibiram totalmente a exportação de ouro e prata, sob penas rigorosas, ou impuseram pesadas taxas aduaneiras à respectiva exportação.



Mas, segundo Adam Smith, a quantidade de uma mercadoria qualquer que o trabalho humano pode comprar ou produzir é naturalmente regulada, em cada país, pela demanda efetiva, ou seja, pela capacidade ou necessidade de consumo de cada região.
Porém, nenhuma mercadoria é regulada mais facilmente e com maior exatidão pela demanda efetiva do que o ouro e a prata.

Portanto, quando a quantidade de ouro e prata importada em um país supera a demanda efetiva, não há vigilância ou controle do Governo que consigam impedir sua exportação.
Nem mesmo todas as leis sanguinárias da Espanha e de Portugal foram capazes de evitar a evasão do ouro e da prata excedentes desses países.
As contínuas importações de metais ultrapassam a demanda efetiva da Espanha e Portugal, fazendo com que seu preço, nos países ibéricos, descesse abaixo do vigente nos países vizinhos.

Ao contrário, se em algum país a sua quantidade não fosse suficiente para atender à demanda efetiva, de forma a fazer subir o preço desses metais em comparação com os países vizinhos, o Governo não precisaria preocupar-se em importar.
E se tentasse impedir tal importação, não conseguiria fazê-lo.
Portanto, nunca a preocupação do Governo seria tão supérflua como quando estivesse voltada para vigiar a conservação ou o aumento da quantidade de dinheiro em um país.

A liberdade de comércio

A liberdade de comércio, segundo Adam Smith, seria o meio mais eficaz de se garantir a quantidade necessária de ouro e prata em um país; o livre comércio sempre nos asseguraria o ouro e prata que tivéssemos condições de comprar ou empregar, seja para fazer circular as nossas mercadorias, seja para outras finalidades.

Em relação à questão da proibição de mercadorias estrangeiras que poderiam ser produzidas em território nacional – argumentação muito utilizada pelos mercantilistas – Adam Smith salientava que conceder o monopólio do mercado interno ao produto da atividade nacional, em qualquer arte ou ofício, equivaleria, de certo modo, a orientar pessoas particulares sobre como deveriam empregar seus capitais — o que, em quase todos os casos, representaria uma norma inútil, ou danosa.
Se os produtos fabricados no país pudessem ser nele comprados tão barato quanto os importados, a medida seria evidentemente inútil.
Se, porém, o preço do produto nacional fosse mais elevado que o do importado, a norma seria necessariamente prejudicial.

Nas palavras de Adam Smith, “Todo pai de família prudente tem como princípio jamais tentar fazer em casa aquilo que custa mais fabricar do que comprar. O alfaiate não tenta fazer seus próprios sapatos, mas compra-os do sapateiro.
O sapateiro não tenta fazer suas próprias roupas, e sim utiliza os serviços de um alfaiate.
O agricultor não tenta fazer ele mesmo seus sapatos ou sua roupa, porém recorre aos dois profissionais citados.
Todos eles consideram de seu interesse empregar toda sua atividade de forma que aufiram alguma vantagem sobre seus vizinhos, comprando com uma parcela de sua produção — ou, o que é a mesma coisa, com o preço de uma parcela dela — tudo o mais de que tiverem necessidade.”



O valor da produção anual da atividade do país certamente diminui quando ele é artificialmente impedido de produzir mercadorias que evidentemente têm mais valor do que a mercadoria que está orientado a produzir.
Pois assim, a atividade do país é desviada de um emprego mais vantajoso de capital e canalizada para um emprego menos vantajoso, consequentemente, o valor de troca da produção anual do país, ao invés de aumentar — como pretende o legislador — necessariamente diminui.

Adam Smith argumentava que por vantagem ou ganho entendia não o aumento da quantidade de ouro e prata, mas o aumento do valor de troca da produção anual da terra e da mão-de-obra do país, ou seja, o aumento da renda anual de seus habitantes.
Essa renda e esse sustento, proporcionados mutuamente dessa forma, seriam maiores ou menores, conforme a extensão das transações entre os países.

1345