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Visão Liberal

Globalização é sem dúvida um tema que mexe com as paixões de muitos historiadores.
Sabemos que existem diferentes interpretações para entender e explicar o que representa a globalização para o mundo.
Não temos a pretensão de esgotar o tema.

Nesse momento, apenas nos propomos a analisar duas correntes historiográficas distintas sobre o assunto: a marxista e a liberal.

Link para a visão marxista.

Visão Liberal

O historiador Goklany defende a ideia de que não só a globalização produz bem estar, como também gera uma infinidade de benefícios às camadas menos favorecidas da população.
Sua tese é que especialmente nos últimos cinquenta anos a abertura dos mercados no plano internacional estimulou diversos setores da economia e gerou outros novos, trazendo empregos e prosperidade para seus respectivos países.

Os diferentes ritmos de crescimento entre os povos seriam explicados pelo seu maior ou menor nível de liberdade econômica.
Portanto, se os Estados Unidos e o Japão tornaram-se as duas maiores economias mundiais, foi porque, de acordo com Goklany, a liberdade de produzir, vender, comprar e prestar serviços, etc., foi assegurada em maior ou menor grau a todos os seus habitantes.



Se um desenvolvimento maior foi registrado nos países mais ricos, foi porque os seus habitantes estavam em melhores condições financeiras de adquirir ou pesquisar novas tecnologias e aplicá-las à ciência, alimentação, transportes, saúde, educação e etc. Ademais, o autor afirma que o ambiente institucional daqueles países era superior ao dos demais por algumas razões importantes.

Esses fatores incluem sistemas legais e econômicos – mercados livres, segurança dos direitos de propriedade, governos e políticos honestos, previsíveis e comprometidos com a responsabilidade fiscal e a adesão ao Estado de Direito – que encorajam a competição não só no âmbito comercial, mas também no âmbito científico e intelectual, permitindo àqueles que arriscam seu trabalho, seu capital intelectual e seus recursos financeiros, lucrarem com os riscos incorridos.
Essas instituições são também os fundamentos de sociedades civis e sistemas democráticos.

O Estado de Direito, na acepção de Goklany, proporcionaria um “clima” de prosperidade que tenderia a se reproduzir uma vez que o estágio da riqueza, alcançado por intermédio da liberdade econômica, tende a gerar mais riqueza e, consequentemente, mais bem estar.
Os países mais pobres não conseguiriam acompanhar esse incremento de bem-estar exatamente por não disporem de instituições tão livres e democráticas.
Via de regra, os mais pobres não acompanhariam os mais ricos por não aproveitarem as franquias da abertura comercial perdendo a oportunidade de terem um aumento significativo de bem-estar social.

Outro importante aspecto gerado pela economia globalizada, apontado por Goklany, é o da massificação de produtos e serviços que outrora eram considerados caros e escassos, até mesmo nos países mais ricos.
Pois, as novas tecnologias são com frequência relativamente onerosas no início.
Portanto, os países ricos são geralmente os primeiros a obterem as tecnologias novas ou inovadoras.
Na medida em que os ricos compram a nova tecnologia, o fornecedor pode aumentar a produção e fazer com que o preço caia, em função de economias de escala e da experiência, além de outros motivos.

As quedas de preços permitem que os menos ricos possam também ter acesso àquela tecnologia, o que então abre o caminho para futura redução de preços e estimula as pessoas mais modestas a ingressarem no mercado.

Assim, pode-se argumentar que a desigualdade de riqueza estimula a invenção, a inovação e a difusão de novas tecnologias.

Segundo Goklany, os dados mostram que as consequências econômicas da globalização e das transformações econômicas recentes mostram-se positivas para a ordem internacional como um todo. Deles, infere-se que o desenvolvimento econômico tende a aumentar o nível de riqueza das nações.
O autor aponta que entre 1950 e 2000 a população mundial cresceu 140% e a renda per capita mais de 170%.



No entanto, devido ao enorme crescimento da produtividade agrícola e do comércio, o preço real dos alimentos nunca esteve tão baixo.
Os baixos preços dos alimentos asseguram que os benefícios do aumento de produção sejam amplamente distribuídos e que os excedentes de alimentos fluam voluntariamente para áreas carentes.
Como resultado, a oferta mundial per capita de alimentos melhorou continuamente durante os últimos 50 anos.

Entre 1961 e 1999, a média diária de suprimento de alimentos por pessoa aumentou 24% globalmente: de 2.257 para 2.808 calorias.
O aumento foi ainda mais rápido nos países em desenvolvimento, 39%: de 1.932 para 2.684 calorias.

O historiador Mises também faz uma análise bastante positiva do que representa a globalização para a humanidade.
Segundo ele, a expansão do investimento externo trata-se do fato mais importante da história do século XIX.

Mises lembra que no século XIX não se considerava a hipótese de os capitalistas virem a investir no estrangeiro.
Mas, algumas décadas mais tarde, o investimento de capital no estrangeiro começou a desempenhar um papel de importância primordial no mundo dos negócios.
Mises explica que a Inglaterra foi o país pioneiro em investimento externo.
Que após um alto nível de acúmulo de capital e de desenvolvimento os ingleses passaram a investir seus lucros em outros países.

Sem esse investimento de capital, as nações menos desenvolvidas que a Grã-Bretanha teriam sido obrigadas a iniciar seu desenvolvimento utilizando-se dos mesmos métodos e tecnologia usados pelos britânicos em princípio e meados do século XVIII.
Seria preciso procurar imitá-los lentamente, passo a passo.
E sempre se estaria muito aquém do nível tecnológico da economia britânica e de tudo o que os britânicos já tinham realizado.
Teriam sido necessárias muitas e muitas décadas para que esses países atingissem o padrão de desenvolvimento tecnológico alcançado, mais de um século antes, pela Grã-Bretanha.
Assim, o investimento externo constituiu-se num fator preponderante de auxílio para que esses países iniciassem seu desenvolvimento.

Mises explica que o investimento externo foi o maior acontecimento histórico do século XIX.
Todas as estradas de ferro, inúmeros portos, fábricas, minas e muitas outras coisas no hemisfério ocidental não teriam sido construídos, não fosse o investimento externo.

Mas apesar de todos os benefícios que o investimento externo gerou em grandes partes do mundo – a implantação de modernos métodos de transporte, de fabricação, de mineração e de tecnologia agrícola – muitos governos e partidos políticos passaram a ter o investidor estrangeiro na conta de um explorador a ser escorraçado do país.
O que para Mises é algo extremamente lamentável, visto que a única forma de tornar os países cada vez mais prósperos e desenvolvidos, ao longo de todo o mundo, é o capital.
No entanto, é imprescindível que haja liberdade para empregá-lo sob a disciplina do mercado.
É preciso que estas nações acumulem capital interno e viabilizem o ingresso do capital estrangeiro.

Para Mises, o requisito fundamental para que haja, no mundo, uma maior igualdade econômica é a industrialização.
E esta só se torna possível quando há maior acumulação e investimento de capital.

Para se desenvolverem e conquistarem o tão sonhado alto padrão de vida do estilo Americano, é essencial que todos os países estejam abertos para a migração de capital.
Pois, naturalmente os capitalistas tendem a se deslocar para aqueles países onde a mão-de-obra é abundante e barata.
E, pelo próprio fato de introduzirem capital nesses países, provocam uma tendência à elevação dos padrões salariais.
Em síntese, para Mises, a globalização não é o problema, mas sim a solução para as desigualdades econômica e social entre os países.

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